Montando um completo servidor de backup usando Bacula no FreeBSD

Muito se questiona sobre a preocupação com a segurança da informação nas empresas, normas, padrões e soluções disponíveis para (tentar) garantir uma infra-estrutura que suporte todos os negócios de uma empresa. Mas desde os primórdios da informática, quando o assunto é segurança, logo vem em mente o conceito de backup. Antes de qualquer adoção de políticas de segurança e normas que regem boas práticas em segurança da informação, o bom administrador de sistemas que se preze deve ter um trabalho de backup assegurando o mínimo de segurança. Seguindo essa linha e buscando sempre soluções que atendam as necessidades das empresas, o Bacula apresenta-se como uma plataforma cliente/servidor completa de Backup, suportando multíplas plataformas (inclusive clientes Windows), uso de discos e/ou fitas para o armazenamento dos dados, diferentes agendamentos para um mesmo trabalho de backup, uso de uma mesma fita para vários backups, e muitas outras opções. E o melhor de tudo é que o Bacula é open source! Em resumo, Bacula é uma completa solução para criação de trabalhos de backup em rede, com poderosos recursos, multíplas funções e de fácil configuração. A seguir apresentarei minha experiência com o Bacula, desde a instalação num sistema FreeBSD até sua configuração e agendamento de trabalhos, lógico de acordo com cada necessidade.

Instalação

Apesar de a instalação ter sido realizada no FreeBSD via ports, acredito que não haverá problemas na instalação em distribuições Linux; a única mudança será no momento da instalação e nos caminhos onde foram instalados os arquivos do Bacula. O Bacula armazena toda sua informação em base de dados MySQL, SQLite e até PostgreSQL, ou seja, antes de qualquer coisa você deverá ter instalado em seu servidor um desses programas. Chega de papo e mãos à obra: Como dito acima, instalei o Bacula no sistema via ports no FreeBSD. A versão utilizada do Bacula foi a 1.34.6.

cd /usr/ports/sysutils/bacula
make –DWITH_POSTGRESQL7
make install

Minha instalação foi simples, quase que padrão. Somente especifiquei o suporte ao banco PostgreSQL versão 7. Dependendo de seu caso, deverá configurar seu Bacula com suporte ao banco que escolher. Para maiores informações sobre as opções de instalação do Bacula, consulte o manual on-line ou baixe no formato PDF no site; até sua documentação é excelente, completa até com exemplos. Agora é hora de criar o banco de dados Bacula em seu SGBD. Nesse exemplo utilizei o PostgreSQL.

cd /usr/ports/sysutils/bacula/work/bacula-1.34.6/src/cats
./create_postgresql_database
./make_postgresql_tables
./grant_postgresql_privileges


Segurança

Os daemons utilizados pelo Bacula deverão rodar com usuário bacula. Na instalação via ports o usuário/grupo foram criados automaticamente. No arquivo /etc/passwd podemos encontrar a seguinte linha: bacula:*:1002:1002::0:0:Bacul Daemon:/var/db/bacula:/sbin/nologin

Em seguida, devemos definir as permissões para o diretório onde se encontra o BD Bacula:

chown -R bacula:bacula /var/db/bacula/

Configuração

Como deu pra perceber, a instalação do Bacula é simples e sem complicações. Por padrão os arquivos de configurações ficam em /usr/local/etc. Agora é a hora da configuração do servidor e, para isso, deve-se entender sua estrutura organizacional. Divide-se em 3 partes: – o Director (bacula-dir.conf) é a parte mais complexa do sistema, afinal é a principal onde figura-se toda a configuração dos trabalhos de backup (job), agendamentos, pools, seleção do que fazer backup (FileSet), definição do tipo de armazenamento, etc. Enfim, é onde se configura os clientes e arquivos que irão fazer parte do backup, além de se comunicarem com os clientes e dispositivos de armazenamento. – File Daemon (bacula-fd.conf) representa uma especié de agente, rodando em cada máquina que for participar de um trabalho de backup. Em resumo, todo cliente deverá ter rodando esse daemon, estabelecendo uma comunicação com o Director, que por sua vez gerencia todas essas comunicações. – Storage Daemon (bacula-sd.conf) é o arquivo de configuração do Bacula onde se insere os dispositivos de armazenamento, como fitas e discos. Esse daemon é responsável por estabelecer a comunicação com esses dispositivos.

Em resumo, a boa divisão das funções que compõem um serviço de backup do Bacula permite sua fácil configuração e administração. Para a configuração geral de um dado backup, edite o arquivo bacula-dir.conf; para configurar um cliente, é só editar o file daemon (bacula-fd.conf) na máquina que irá se comunicar com o servidor (onde se encontra a unidade de armazenamento); e para configurar o tipo de dispositivo que irá armazenar os trabalhos, é só editar o bacula-sd.conf. Antes de iniciar a configuração desses 3 arquivos, deve-se ter em mente o sistema de backup que você irá adotar para sua empresa. Ele irá variar de acordo com a necessidade de negócio. Nesse artigo o exemplo de configuração será baseado no seguinte sistema: – backup do próprio servidor, realizando a cópia completa de todos os sites hospedados, no período de segunda à sexta. Como deu pra perceber, configurei o Bacula no mesmo servidor Web, onde se encontra a unidade de dispositivo (fita DAT Sony SDT-9000). – Backup do servidor de e-mail, realizando a cópia de todas as pastas das contas existentes, também no mesmo período que o servidor Web. Esse é o cliente, rodando FreeBSD.

De acordo com os trabalhos definidos, agora é chegada a hora de configurar o Bacula para atender esses backups. Abaixo seguem os exemplos dos arquivos de configurações do servidor (onde se encontra a fita DAT). Não irei explicar todos os parâmetros de configuração, até porque são muitos. Como sempre, é só consultar o manual do Bacula para obter todas as informações sobre os recursos disponíveis. Primeiro irei configurar o arquivo bacula-sd.conf, inserindo as principais diretivas sobre o dispositivo de armazenamento:

# vi /usr/local/etc/bacula-sd.conf
#
Storage {
Name = "server-dir"
#por padrão o bacula já utiliza o nome do servidor #em que foi instalado, nesse caso o director será #identificado como server-dir

SDPort = 9103
#porta de conexão com o daemon
WorkingDirectory = "/var/db/bacula"
PidDirectory = "/var/run"
SubSysDirectory = "/var/db/bacula"
#diretórios utilizados pelo Bacula, também padrão

}

#
# List Directors who are permitted to contact Storage daemon
#
Director {
Name = server-dir
Password = "senha"
}

#
# Devices supported by this Storage daemon
# To connect, the Director must have the same Name #and MediaType,

# which are sent to the File daemon
#
Device {
Name = "DDS-3"
Media Type = DDS-3
Archive Device = /dev/sa0
#nesse caso, o dispositivo configurado é uma fita #DAT Sony SDT-9000, DDS-3. O caminho para #acesso no FreeBSD é o /dev/sa0, portanto muita #atenção para a configuração de acordo com seu #sistema

AutomaticMount = yes;
Offline On Unmount = yes
AlwaysOpen = yes;
RemovableMedia = yes;
Hardware End of Medium = No
BSF at EOM = yes
}

Messages {
Name = Standard
director = server-dir = all

operator = root = mount
}
#mensagens também padrão

Agora é hora de configurar o bacula-fd.conf de nosso servidor, afinal ele também será backupeado. Em resumo, o único parâmetro alterado foi a conexão com o Director, onde você deve inserir a mesma senha cadastrada no bacula-dir.conf. Obviamente elas devem coincidir para que sejam estabelecidas as conexões entre o Director, seu cliente, e o dispositivo.

#
# Default Bacula File Daemon Configuration file
#
# There is not much to change here except perhaps #the File daemon Name to
#

#
# List Directors who are permitted to contact this File #daemon

#
Director {
Name = server-dir
Password = "senha"
}

#
# "Global" File daemon configuration specifications
#
FileDaemon {
Name = ns2-fd
FDport = 9102
WorkingDirectory = /var/db/bacula

Pid Directory = /var/run
#arquivos de conexão com o daemon, também #padrão
}

# Send all messages except skipped files back to Director
Messages {
Name = Standard
director = server-dir = all, !skipped

}

Como teremos 2 clientes, o próprio servidor e outra máquina, tendo seus dados backupeados é preciso configurar somente o file daemon (bacula-fd.conf) da máquina conectada em rede. Antes disso, é preciso instalar o Bacula com a opção –enable-only-client. Após essa etapa, é só editar o arquivo com as mesmas configurações acima. Depois é só startar seu daemon. Para ter certeza de que tudo está em ordem com esse cliente, certifique-se de que o daemon esteja rodando:

ps awux | grep bacula
bacula 25934 0.0 0.7 3104 1892 ?? Ss Mon03PM 0:23.72 /sbin/bacula-fd -v -c /usr/local/etc/bacula-fd.conf

Beleza, está funcionando. A porta 9102 está aberta, pronta pra estabelecer conexão com o servidor quando esse efetuar o backup. Agora é chegada a hora de configurar o arquivo principal do Bacula, o Director. Nele iremos inserir os jobs, agendamentos, clientes e os arquivos a serem backupeados:

#
# Kerns Production Bacula Director Daemon #Configuration file
#

Director {
Name = server-dir
DIRport = 9101
QueryFile = "/usr/local/etc/query.sql"
WorkingDirectory = "/var/db/bacula"

PidDirectory = "/var/run"
SubSysDirectory = "/var/db/bacula"
Maximum Concurrent Jobs = 2
#como teremos 2 jobs sendo executados num #mesmo agendamento, a parâmetro foi alterado. O #padrão é 1.

Password = senha
}

Schedule {
Name = "Diario"
Run = Level=Full Pool=SegundaPool Monday at 10:00pm
Run = Level=Full Pool=TercaPool Tuesday at 10:00pm
Run = Level=Full Pool=QuartaPool Wednesday at 10:00pm

Run = Level=Full Pool=QuintaPool Thursday at 10:00pm
Run = Level=Full Pool=SextaPool Friday at 10:00pm
#no agendamento, o backup será realizado de #segunda à sexta, sempre às 22 horas. Criei um #pool dos volumes para cada dia, afinal cada fita terá #sua label para cada dia.

}

Job {
#essa é a configuração do trabalho do cliente, a #maquina remota.
Name = "Servidor NS1"
Type = Backup
Level = Full #backup do tipo full
Client=ns1-fd #esse parametro será configurado #logo abaixo

FileSet="Server-NS1" #seleção do que será #backupeado, também logo abaixo
Messages = Standard
Storage = DDS-3 #dispositivo onde será #armazenado o job
Pool = Default
Schedule = "Diario"

Write Bootstrap = "/var/db/bacula/Client1.bsr"
Priority = 10
}

Job {
Name = "Servidor NS2-local"
Type = Backup
Level = Full
Client=ns2-local
FileSet="Server-NS2"

Messages = Standard
Storage = DDS-3
Pool = Default
Schedule = "Diario"
RunAfterJob = "/usr/local/etc/ejeta_tape.sh" #esse #parâmetro especifica a execução de um comando #após o término do job. Esse script faz com que a #mídia seja desmontada e ejetada. O script está #disponível no término desse arquivo.

Write Bootstrap = "/var/db/bacula/Client1.bsr"
Priority = 10
}

# Standard Restore template, to be changed by #Console program
Job {
Name = "RestoreFiles"
Type = Restore
Client= ns2-local

FileSet="Full Set"
Storage = DDS-3
Messages = Standard
Pool = Default
Where = /tmp/bacula-restores
}

FileSet {
#insira os arquivos/diretórios que deverão ser #copiados
Name = "Server-NS2"

Include = signature=MD5 {
/www
}
Exclude = {
#caso queira excluir algum diretório
/www/data
/tmp/* }
}

FileSet {
Name = "Server-NS1"
Include = signature=MD5 {
/var/mail

}
Exclude = {
/tmp/* }
}

FileSet {
Name = "Full Set"
Include = signature=MD5 {
# @/etc/backup.list
}
Exclude = { }
}

# Definição do dispositivo de armazenamento

Storage {
Name = DDS-3
Address = 172.16.0.3 #atenção, coloque sempre o #IP e não localhost
SDPort = 9103
Password = senha
Device = "DDS-3" # deve ser o mesmo do que o #especificado no 
bacula-sd.conf
Media Type = DDS-3
}

#maquina local
Client {
Name = ns2-local
Address = localhost
FDPort = 9102
Catalog = BackupDB
Password = senha
File Retention = 30d # 80 days
Job Retention = 1y # one year

AutoPrune = yes # Prune expired Jobs/Files
}

#maquina remota
Client {
Name = ns1-fd
Address = 172.16.0.2
FDPort = 9102
Catalog = BackupDB
Password = senha

File Retention = 30d # 80 days
Job Retention = 1y # one year
AutoPrune = yes # Prune expired Jobs/Files
}

Catalog {
Name = BackupDB
dbname = bacula; user = bacula; password = ""
}

#o Bacula oferece o recurso de enviar os relatórios #(logs) por e-mail. Para isso insira o seu servidor #smtp e seu e-mail
Messages {
Name = Standard
mailcommand = "/home/bacula/bin/smtp -h servidor.smtp -f "(Bacula) %r" -s "Bacula: %t %e of %c %l" %r"

operatorcommand = "/home/bacula/bin/smtp -h servidor.smtp -f "(Bacula) %r" -s "Bacula: Intervention needed for %j" %r"
MailOnError = usuario@mail.com
 = all
append = "/home/bacula/bin/log" = all
operator = YOUR-EMAIL@YOU.com = mount
console = all
}

Pool {
Name = Default
Pool Type = Backup

Recycle = yes # Bacula can automatically recycle Volumes
AutoPrune = yes # Prune expired volumes
Volume Retention = 1d # one year
}

Pool {
Name = SegundaPool
Pool Type = Backup
Recycle = yes
AutoPrune = yes

Volume Retention = 6d #o volume poderá ser #utilizado novamente para backup após 6 dias
Accept Any Volume = yes
}
Pool {
Name = TercaPool
Pool Type = Backup
Recycle = yes
AutoPrune = yes
Volume Retention = 6d

Accept Any Volume = yes
}

Pool {
Name = QuartaPool
Pool Type = Backup
Recycle = yes
AutoPrune = yes
Volume Retention = 6d
Accept Any Volume = yes
}

Pool {
Name = QuintaPool

Pool Type = Backup
Recycle = yes
AutoPrune = yes
Volume Retention = 6d
Accept Any Volume = yes
}

Pool {
Name = SextaPool
Pool Type = Backup
Recycle = yes
AutoPrune = yes
Volume Retention = 6d

Accept Any Volume = yes
}

Agora crie um script ejeta_tape.sh, e salve em /usr/local/etc/

#!/bin/sh
/usr/local/sbin/bconsole -c /usr/local/etc/bconsole.conf <
unmount
quit
END_OF_DATA

Após a configuração desses 3 arquivos no servidor, o serviço Bacula deverá ser iniciado. No meu caso, a instalação criou o daemon que controla os serviços em /usr/local/etc/rc.d.

bacula.sh start

Caso não haja erro de configuração, o Bacula será iniciado e pronto pra executar os trabalhos de backup. Para confirmar sua execução:

# ps awux | grep bacula
bacula 50839 0.0 0.4 3068 1864 ?? Ss 4:20PM 0:09.66 /usr/local/sbin/bacula-sd -u bacula -g operator -v -c /usr/local/etc/
root 50841 0.0 0.4 3024 1844 ?? Ss 4:20PM 0:20.00 /usr/local/sbin/bacula-fd -u root -g wheel -v -c /usr/local/etc/bacul

bacula 50845 0.0 0.5 5800 2564 ?? Ss 4:20PM 0:10.23 /usr/local/sbin/bacula-dir -u bacula -g bacula -v -c /usr/local/etc/b
root 53861 0.0 0.2 1448 848 p0 S+ 11:40AM 0:00.00 grep bacula

Para administrar o Bacula o padrão é seu console, mas existe também o modo gráfico que roda no Gnome. Para acessar o console precisamos editar o arquivo bconsole.conf, especificando somente como se conectar ao Director:

vi bconsole.conf
#
# Bacula User Agent (or Console) Configuration File
#

Director {
Name = server-dir
DIRport = 9101
address = localhost
Password = "senha"
}

Agora sim, para acessar o console:

/usr/local/sbin/bconsole –c /usr/local/etc/bconsole.conf
Connecting to Director server-dir:9101
1000 OK: HeadMan Version: 1.30 (28 April 2004)
*

Estamos no prompt do console. Para obter informações sobre todos os comandos disponíveis é só digitar help. Agora é escolher a opção desejada e trabalhar. Por exemplo, se quiser obter informações sobre o status de ser servidor, digite stat e selecione a opção desejada. O Bacula é muito fácil e intuitivo de ser gerenciado. Para realizar os trabalhos de backup nas unidades de fita, é preciso criar uma label para cada volume. Após isso é necessário montar o dispositivo pra ficar online, mas para agilizar a tarefa, digite mount e siga as etapas para criar a label e montar a fita. Caso queira realizar um trabalho de backup, execute run e escolha a opção de acordo com o menu. Para realizar a restauração de um arquivo/diretório, digitar restore:

*restore
Using default Catalog name=MyCatalog DB=bacula
First you select one or more JobIds that contain files
to be restored. You will be presented several methods
of specifying the JobIds. Then you will be allowed to

select which files from those JobIds are to be restored.
To select the JobIds, you have the following choices:
1: List last 20 Jobs run.
2: List Jobs where a given File is saved.
3: Enter list of JobIds to select.

4: Enter SQL list command.
5: Select the most recent backup for a client.
6: Select backup for a client before a specified time.
7: Enter a list of files to restore.
8: Enter a list of files to restore before a specified time.

9: Cancel.
Select item: (1-9): 3
Enter JobId(s), comma separated, to restore: 2
You have selected the following JobId: 2
Building directory tree for JobId 2 ...
1 Job inserted into the tree and marked for extraction.

Automatically selected Storage: File

You are now entering file selection mode where you add and
remove files to be restored. All files are initially added.
Enter "done" to leave this mode.

cwd is: /www

A maneira de se escolher os arquivos/diretórios à serem restaurados no Bacula demonstrado acima é simples; selecione a opção 3, e em seguida o JobID (cada trabalho executado recebe um número identificador). Após a seleção do trabalho, você irá navegar pela árvore de diretórios que foram backupeados.A navegação é padrão do shell Unix. Após encontrar o arquivo desejado, para selecioná-lo execute o comando mark. Um * aparecerá ao lado do arquivo. Para finalizar, execute done e siga os passos finais.

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